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Não é uma ilusão, é Edimburgo

O Martinho andou atrecidinho por terras escocesas a aquecer-se em filmes, salas de cinema, projecções, em westerns, thrillers, suspense, romance, lojas de discos, bares, pubs, discotecas, restaurantes e casas bonitas. E  quando a nossa Pé 39 lá foi aquecer-lhe os pés, já o Martinho, de pés em brasa, conhecia os hot spots lá do sítio.

The Edimbra Music Scene

Edimburgo ou ‘Edimbra’ como dizem os locais, é a capital da Escócia e um sítio cheio de personalidade, beleza e frio. Sim, não se pode escrever sobre a cidade sem referir este ponto (o escritor é, como todos os lisboetas dignos desse nome, sensível a temperaturas baixas). Mas não se pense que essa característica lhe retira qualquer encanto. Antes pelo contrário: é a pedra de toque nesta bonita cidade nortenha à beira-mar, cavada num vale e com colinas verdes e casas castanhas, numa estética muito sóbria e charmosa, digna do mais refinado estilo britânico (mas atenção, que eles não nos oiçam a dizer esta palavra: os ‘Scots’ são nacionalistas até dizer chega).

Um fim-de-semana é sempre curto para se aproveitar ‘Edimbra’ em todo o seu potencial. Mas é possível em dois dias ter uma boa introdução a esta terra muito própria, entre passeios, comidas, visitas e danças. Este guia faz-se a pé, com ou sem botas, para se apanhar com este bom ar escocês na cara.

— Dia um

Edimburgo é uma cidade entre tempos: a mais medieval Old Town, com o Royal Mile que sobe desde o Parlamento até ao Castelo, é onde se encontra a sua Universidade e os edifícios mais emblemáticos da sua história. É também o lugar dos pubs mais duros e dos clubes mais animados. Comece-se o dia a descer a Royal Mile (ou Canongate, aquele nome oficial que como todos os nomes oficiais é completamente desconhecido) e a parar na Clarinda’s Tea Room, já perto do Parlamento, onde se pode tomar um pequeno-almoço de chá, scones e biscoitos, tudo com um estilo muito “scottish house wive”. Depois, passando o Parlamento, seguir para Holyrood Park, o maior pedaço de verde dentro da cidade, e subir até ao topo, o famoso Arthur’s Seat, com uma vista incrível sobre a cidade. Recomenda-se protecção contra as fortes rajadas de vento que rodeiam a encosta.

Depois duma valente subida, nada como dar outra pelo Royal Mile até chegar a Cockburn Street. Dizem que o cansaço é o pai do apetite. Nada melhor que parar na Baked Potato Shop e pedir uma batata enchida com os mais diversos condimentos (tudo vegetariano). Sugestão? O Veggy Chilli ou o Spicy Humus merecem as melhores atenções.

Em seguida, continuar a subir até ao Castelo. A entrada é cara, apesar de haver muito que ver por dentro sobre a história da cidade e do país (sim, eles também me deram a volta: Go Scotland for Independence!) e por isso basta ir até à porta, dar meia volta e seguir depois para o Old College em Chambers Street, o edifício mais antigo da Universidade, onde se encontra também o National Museum of Scotland, gratuito e cheio de novidades para quem quiser conhecer mais sobre os homens do norte. Outra hipótese é passear até aos Meadows, o parque universitário, ou voltar a Cockburn Street e dar uma olhadela nas múltiplas lojas e galerias de arte que por lá se encontram.

Se o cansaço já for algum e se quiser um café num sítio diferente, o Forest Café em Bristo Place é o local ideal. O espaço é ocupado por uma associação cultural que promove várias actividades, desde concertos, teatros e projecções de filmes. Os bolos são bons e o ambiente jovem, descontraído e artístico é uma instituição da cidade. E, diga-se, o café aceita contribuições para ajudar a manter as portas abertas. Comer, beber, doar. Thumbs up, lad.

Enfim, faz-se tarde. E se o apetite já era muito, de tarde ainda fica mais. Por isso, terminando este primeiro périplo, o lugar certo para uma refeição de valor é o Deacon Brody’s Tavern, no fim do Royal Mile. O prato a comer deve ser Haggis, um estufado de borrego picante servido com puré e legumes, com um bom Ale (Caledonian, por exemplo) a acompanhar. Bucho quente e recheado para o caminhante merecido.

Mas qualquer bucho que se preze tem de ser bem acarinhado. E ir à Escócia sem provar um Whisky Single Malt é crime de difícil perdão. Desça-se ao Grassmarket e pare-se no Beehive Inn, pub de madeira escura e luzes baixas (os melhores). E, aí chegados, calma na grande área. A variedade é muita e os sabores também, é preciso escolher com cuidado. Talisker, Laphroaig e Glennfidich são clássicos, mas recomenda-se Ledaig, um fumarento e cavernoso malte do sul. Sem gelo (é um crime pedir gelo com whisky) e com um pouco de água mineral. Não se arrependerão.

Revitalizados e aquecidos pelo malte das terras altas, pode-se continuar a noite no Wee Red Bar, a discoteca da Edinburgh School of Arts (o lado do Grassmarket) que ao sábado passa música boa, desde clássicos soul até rockabily americano dos anos cinquenta até ao melhor que o twee pop escocês e o roque contemporâneo produziram. Outra hipótese é ir ao Liquid Room em Candlemaker Row sala mais moderna e impessoal mas com uma selecção musical de valor. Mas atenção, noctívagos latinos: a noite acaba cedo por obrigação. É que os pubs fecham à uma e as discotecas às três. É aproveitar enquanto se pode.

— Dia dois:

Depois do repouso, e sem grandes pressas, pode se passar North Bridge e entrar em Princes Street: New Town aparece perante os olhos, já mais setecentista que a outra parte de Edimburgo. O pequeno-almoço pode ser tomado no Snax em Register Place , uma de duas lojas que se encontra na cidade. Paga-se pouco, come-se muito e bem, um pequeno-almoço completo.

Depois vai-se para Calton Hill, montanha mais pequena que Holyrood mas onde se tem uma bela vista de Leith, a zona portuária. Dois ou três monumentos (entre eles um canhão português) adornam a zona.

Depois é dar corda aos sapatos e ir passeando pelo meio de Broughton Street, umas das ruas mais agradáveis e simpáticas da cidade, cheia de restaurantes e pequenas livrarias. Para o almoço é preciso andar um pouco mais e ir ter até Brandon Street onde se encontra o Circle Cafe, com belíssimas sopas e sandes. Com o passeio fica-se a conhecer as diversas ruas e ruelas residenciais, com alguns pequenos jardins no meio.

Repasto terminado e duas hipóteses na mesa: ou caminhar um pouco mais (cerca de vinte, trinta minutos) até ao Royal Botanic Garden em Inverleith Terrace ou voltar para Princes Street, a avenida do comércio mais cosmopolita e ir até à National Gallery of Scotland ver o melhor da pintura britânica (e alguma europeia) de retratos. Quando os quadros já acabarem, nada como um passeio pelos jardins de East Princes Street para animar. Por qualquer lado, é uma tarde ganha. E, para matar a fome, uma recomendação estranha mas, acreditem, acertada: o Sainsbury’s de St. Andrews Square, mais concretamente os croissants de amêndoa à venda na secção de pastelaria. São uma perdição gulosa para quem anda e muito a pé por Edimbra.

O jantar por estes lados mais empresariais e menos universitários merece estar à altura. Por isso a recomendação vai para o The Standing Order em Georges Street, um antigo banco transformado em casa de pasto. Outra hipótese, se a carteira for larga, é ir ao hotel Howard e deixar-nos levar pelas sugestões escocesas do chefe. Valem bem a pena, acreditem.

Também há duas sugestões de pubs para a noite. O primeiro é o Café Royal Circle Bar em Register Place, com os seus tectos dourados. O segundo é o Black Rose Tavern em Rose Street, mais simples e recatado mas não menos carismático. A vontade é do freguês, já que não distam mais de cinco minutos um do outro.

Para ir sair temos de pedir desculpas, mas o melhor mesmo é voltar para Old Town, que em New Town dança-se, mas não é tão bem. A recomendação vai para o único bar de jeito em Cowgate, o Sneaky Pete’s, lugar pequeno de electrónicas bem ritmadas, concertos de grandes bandas e ambiente jovem (bom jovem, e não bêbado universitário) e divertido. Outra hipótese, para sons mais estridentes, é o Cabaret Voltaire, em Blair Street. E a noite fica ganha.

Onde ficar:

The Howard, 34 Great King Street.

The Scotsman, 20 North Bridge.

Channings Hotel, 12-16 South Learmonth Gardens.

Castle Rock Hostel, 15 Johnston Terrace.

Royal Mile Backpackers, 105 High Street.

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