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Amsterdam, have big fun

Os dois primeiros dias do Fábio em Amsterdão mostram bem a pedalada do rapaz. Agora imaginem o que não terão sido os dois anos e picos que ficou por lá. Have big fun!

Dia 1

Cheguei a Amesterdão a uma sexta-feira de manhã. Estava frio e por isso o casaco mais grosso e o cachecol que levei deram muito jeito e não me deixaram tremer de frio. Quando sai na estação central, e antes de me aperceber do impacto monumental da mesma, a primeira imagem que me ficou na retina foram bicicletas. Bicicletas e mais bicicletas. Um “silo auto” de bicicletas. Jovens, adultos, gatunos, empresários, mães a carregar filhos…tudo em bicicletas.


Alojei-me no Winston Kingdom, hostel que escolhi depois de “pimpar” entre este e o Flying Pig Hostel. Perto da estação central, na Warmoesstraat, rua estranha, paralela ao famoso Red Light District: muitos turistas, restaurantes de todo o mundo (até porque os holandeses “não têm” comida própria), coffeeshops e o bar gay mais emblemático de Amesterdão de seu nome Cockring. Tudo nesta rua parecia saído de um filme boémio chunga. Mas não se deixem assustar ou enganar pelo ambiente. Há muito mais e melhor para oferecer na cidade.


Depois de alojado e de me aperceber que o hostel tem um bar e venue de concertos por onde passam alguns nomes da cena underground bem engraçados, fui aventurar-me e descobrir a cidade. Dirigi-me então em direção à famosa Dam, praça onde fica o palácio da rainha e o monumento às viúvas da 2ªGrande Guerra. No caminho aproveitei e entrei na W139, galeria de arte contemporânea (de entrada gratuita) para ver uma exposição temporária.


Saí da espaçosa galeria, pois a fome já apertava, passei para as traseiras da Dam e entrei na Amesterdão dos canais em direção ao bairro Jordaan. Caminhei por uns quantos canais, cruzei-me com a Westerkerk que me recordou os tempos de puberdade e de leitura do Diário de Anne Frank, virei em direção à sua casa, repleta de turistas à porta, e parei na pizzaria Da Portare Via. Pedi uma pizza e sentei-me na borda do canal Leliegracht a comer e a observar o tráfego fluvial que faz parecer o IC19 uma pista livre. Barcos pequenos e grandes entopem os canais e dão um sentido de Veneza único nesta cidade.


Já de barriga cheia, decidi seguir os canais para sul. Ao longo do Prinsengracht fui apreciando as casas tortas, as fachadas com janelas gigantes e com ganchos estranhos, as casas barco, as montras de queijos, de roupa em 2ª mão, de velharias, de quadros foleiros… tudo isto enquanto ouvia godverdommes de locais que apertavam a campainha das suas bicicletas para eu me desviar do caminho. Passei pela Leidseplein repleta de turistas e de fritos engavetados do Febo, pelas famosas casas de concertos Melkweg e Paradiso (onde espreito a agenda e me apetece marcar muitos dos concertos para ver), e entrei na Museumplein onde estão os famosos e obrigatórios museus Van Gogh e Rijksmuseum. Antes de entrar nos museus passei num Albert Heijn (o Pingo Doce lá do sítio) e comprei uma sandoca para aguentar as horas de museus.


Com a dose necessária de girassóis, batatas, raparigas leiteiras e com brincos de pérolas, fui descansar as pernas para o Vondelpark. Deitei-me na relva do lago grande com o Filmmuseum como pano de fundo a ver o parque onde os Amsterdammers fazem o seu jogging, passeiam os seus filhos, jogam à bola ou frisbee, namoram, bebem às escondidas, … uma autêntica metrópole, mesclada de géneros e estilos, num único parque.


Amesterdão, tal como a Holanda, não é uma cidade gastronómica, e tudo se baseia em comidas exóticas vindas de África ou das ex-colónias nas Antilhas e na Indonésia. A comida Etíope, o roti do Suriname e qualquer coisa com Satay da Indonésia são o expoente máximo da comida nacional… no entanto, felizmente a cena squatter da cidade serve-nos boa comida vegetariana e barata em locais como o OT301OcciiZaal 100Molli. Além disso, é sempre de espreitar as agendas culturais destes sítios. Do rock às músicas do mundo, do jazz à electrónica esquizofrénica, é sempre possível encontrar opções de entretenimento nocturno nestes sítios.


No entanto nesta sexta decidi ir beber um copo no centro do Jordaan, com velhos holandeses rabugentos e verdadeiros marinheiros do Port d’Amsterdam (a fazer lembrar a música do Jacques Brel). Entrei, então, no Het Monumentje, dos poucos bares da cidade onde é permitido fumar no interior, mas onde é proibido o uso do telemóvel. Nos primeiros cinco minutos, os olhares dos locais foram incomodativos, mas rapidamente alguém se meteu comigo e começou uma conversa fascinado com o facto de ser estrangeiro num local daqueles. Para beber, o “licor de aguardente” holandês Geneve de rajada, e uma Wisse Bier para continuar a conversa. Passada a experiência holandesa numa cidade onde não há holandeses, dirigi-me ao De Nieuwe Anita, bar mais cosmopolita e hipster, de decoração kitsch, com uma varanda para o poço da pista de dança a fazer lembrar um pequeno Santiago Alquimista. A noite já ia longa e quando decidi seguir para o rock n roll do Maloe Melo, onde todas as noites há música ao vivo. Garage rockers e billys encheram o sítio até tarde na madrugada e o som alto e o cheiro etílico fizeram-me acordar com uma pequena dor de cabeça no dia seguinte.


Dia 2

Decidi seguir o conselho de todos os guias e toda a gente que já visitou Amesterdão e aluguei uma bicicleta. Na estação central dirigi-me àMacBike, das famosas bicicletas vermelhas, e por €9,50 aluguei uma bicicleta para viver a verdadeira experiência de Amesterdão (e ainda fazer algum exercício físico que tanta falta me faz). Amesterdão não é uma cidade monumental, e o melhor que tem para oferecer está mesmo na rua. Aproveitando a pedalada da bicicleta, decidi dedicar este segundo dia quase inteiramente à vida na rua: apanhar com vento na cara, pedalar ao longo de canais, atropelar pessoas ao estilo Carmaggedon em duas rodas, andar às aranhas com um cadeado enfurrejado e difícil de manusear… A verdadeira experiência.
Aproveitando o facto de ser sábado, dirigi-me ao Noordermarkt junto à Noorderkerk, mercado dos agricultores recheado de comida biológica saudável e deliciosa. O ideal para um pequeno- almoço prolongado de fim de semana ou comprar fruta, pão, “material para sandes” e sumos e sentar ao longo do Prinsengracht a comer e a ver, mais uma vez, os barcos passarem e invejar as pessoas do barco por uns segundos. Como “sobremesa” de pequeno-almoço, na esquina do mercado encontrei a melhor tarte de maçã de Amesterdão, no Winkel.


Aproveitando o facto de estar na Westerstraat, dei um salto à Distortion Records, a melhor loja de discos de Amesterdão. Se sempre quiseram entrar numa loja de discos com o feeling High Fidelity, entrem aqui. Atrás do balcão estão 2 nerds da música, um simpático e outro antipático a fazer lembrar a dupla Cusack-Black. O espaço é minúsculo e desorganizado e é difícil arranjar espaço de chão para calcar, pois muitos discos estão espalhados pelo chão. No entanto, mesmo naquele caos, os 2 tipos conseguem sempre responder ao vosso pedido e encontrá-lo no meio da confusa (gostava de saber como eles conseguem tal proeza).


Peguei novamente na bicicleta e dirigi-me para Este do centro da cidade. Fiz a minha rota pelo tão mal afamado e ultra turístico Red Light District, contornei a famosa Oude Kerk (famosa por ser uma igreja em plena zona de prostituição) e encontrei a discreta escultura do apalpão a uma mama no chão, espreitei as montras vermelhas, passei pelo Nieuwmarkt e dirigi-me para o Flea Markt, a feira da ladra lá do sítio, na Waterlooplein.


Continuando a minha saga pelo Este, subi para o Nemo, centro de ciência com exposições e experiências científicas bem divertidas e interessantes, e fui apreciar a vista lá de cima do edifício para o IJ. O IJ é o mar, ou lago, ou sabe-se lá o quê, porque na Holanda toda a paisagem que desagua no Rio Amstel é, na realidade, falsa.


Voltei a pegar na bicicleta e segui junto ao IJ em direção a um tão holandês moinho que, para melhorar a visita, funciona como fábrica de cerveja. A Brouwerij het Ij é uma cervejaria com fabrico próprio e uma esplanada super agradável para se provarem todas as cervejas que ali se fabricam: desde as mais leves às mais pesadas que quase servem de refeição de tão nutritivas que são.


Depois de experimentar umas quantas cervejas, voltei a descer para o “interior” e a perder-me entre os canais. Dei com Zoo Artis, o jardim zoológico da cidade que não necessita que entremos para apreciarmos um bando de flamingos no centro de Amesterdão, e dirigi-me ao Albert Cuyp Markt, o mercado de rua mais famoso da cidade. Peixe fresco, legumes, carnes, roupa, discos, tudo e mais alguma coisa numa rua povoada de gente e de barracas. O cenário ideal para provar o tão típico arenque. Servido cru, meio podre (verdade!) e “regado” em alho, come-se todo de uma só vez e, por incrível que pareça, é delicioso e fresco.


O dia já ia longo quando entrei no museu de fotografia FOAM no Keizersgracht e segui para o Mediamatic, logo ao lado, na Vijzelstraat, onde consegui ver exposições “forinhas”, como máquinas de bufar meias.


Para descansar, e poupar uns trocos, fui aos melhores hamburguers da cidade, os do Burgermeester (que em holandês significa algo como Presidente da Câmara dos Hamburguers). Gigantes, gordurosos e deliciosos. Com uma decoração peculiar nas paredes – forradas com fotografias de vacas fofas -, ali encontrei o melhor da carne de vaca em hamburguers, que te deixou cheio por horas.


Para terminar a visita, optei por um percurso pelos bares in da cidade. Fui ao Café Brecht, onde fui acolhido por uma decoração alemã, e segui para o Lux e o Weber, bares de yuppies que alternam entre a electrónica e o indie rock.

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