Amristar, sikhs e espadaúdos

Tirámos as sandálias, escondemos o cabelo num véu e entrámos. 

Há tanta luz a envolver-nos, tantos reflexos e contornos indecisos entre uma luz branca ou, talvez,  uma aura. Mais um passo. Vai-se caminhando devagar, sem pressas. O Golden Temple está lá, cercado de ouro e de água, protegido por estes mármores cândidos e pela devoção dos que mergulham, dos que se lavam, dos que se estendem ou se deitam, dos que cruzam as pernas e cantam. Homens robustos de barba longa, turbante e espada, mulheres, todas princesas de sari. Tonalidades garridas que lhes caem sobre os ombros e que contrastam com esta luz branca e clara. À noite, a luz vem de dentro e o templo ganha outro brilho.

Wagaaaaaahhhhhhhhhhhh

De um lado barbudos honrados, carregados de escuro a trovoar tambores. 

Do outro agita-se a anca de braços no ar enquanto os altifalantes chiam o último hit de Bollywood. Do mesmo lado Gandhi, de sorriso aberto, do outro, carrancudo, um distinto general, sem o mérito de lhe sabermos o nome. 

Ao sinal da corneta a cerimónia começa. Em passo de ganso, os soldados de um lado e do outro, pavoneiam gravemente as suas respeitosas cristas. Grita a nação, desgarrada, o nome da sua pátria. Um duelo de caixas torácicas e gargantas afinadas. Hasteiam-se as bandeiras, apertam-se as mãos e fecham-se outra vez as fronteiras. 

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One thought on “Amristar, sikhs e espadaúdos

  1. Lourenço diz:

    Brutal a cor das fotos! Brutal MESMO!!!

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